domingo, 25 de maio de 2008

"CADA CRIATURA VIVA DEVE SER VISTA COMO UM MICROCOSMO"

"É impossível sondarmos a complexidade de um ser orgânico, mas, segundo a hipótese aqui proposta, essa complexidade cresce enormemente. Cada criatura viva deve ser vista como um microcosmo - um pequeno universo, formado por uma multidão de organismos autopropagadores, inconcebivelmente diminutos e numerosos como as estrelas do firmamento."
CHARLES DARWIN

sábado, 24 de maio de 2008

FÍSICA QUÂNTICA E ESPIRITUALIDADE

Nessa palestra, o Prof. Laércio Fonseca, nos dá um novo conceito de espiritualidade e nos mostra sua relação com a física quântica.

video

quinta-feira, 22 de maio de 2008

segunda-feira, 19 de maio de 2008

SISTEMAS COGNITIVOS



"Sistemas vivos são sistemas cognitivos, e a vida como um processo é um processo de cognição. Essa afirmação vale para todos os organismos, co ou sem um sistema nervoso."


Humberto Maturana - Biology of Congnition, 1970.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

CONSCIÊNCIA, MATÉRIA E MENTE

"Consciência não é mente; consciência é o fundamento de todo ser, o fundamento tanto da matéria como da mente. Matéria e mente são ambas possibilidades de consciência. Quando a consciência converte essas possibilidades num evento de colapso de experiência real, algumas possibilidades sofrem o colapso como físicas e algumas como mentais.

Desse modo, a consciência é claramente mediadora da interação entre mente e corpo, e não existe dualismo. [...]

Estamos tembém enunciando um novo tipo de paralelismo psicofísico. O filósofo Gottfried Leibniz (1646-1716) propôs uma alternativa que, segundo ele, poderia evitar a armadilha dualista do interacionismo mente-matéria cartesiano. Mente e matéria nunca interagem, dizia ele, apenas trabalham em paralelo. Outros filósofos, porém, foram cautelosos como essa idéia, por causa desse enigma: O que mantém o paralelismo? Assim, tembém a filosofia de Leibniz dá sinais de dualismo.

Hoje, finalmente, depois de alguns séculos, com o pensamento quântico, vemos a solução das dificuldades inerentes às filosofias de Descartes e de Leibniz. O que faz a intermediação da interação mente-matéria? A consciência. O que mantém o funcionamento paralelo da mente e do cérebro? A consciência.[...]

[...] não é de espantar que sejamos induzidos a acreditar em objetos separados independentes; dessa perspectiva de separação, participamos de ações que podem aumetnar o nosso senso de separatividade (como quando atribuímos significados limitado à nossa experiência) ou diminuí-lo (como quando expandimos criativamente o significado). No primeiro caso temos o sofrimento, naturalmente, mas podemos não percebê-lo de imediato. A doença é um lembrete para mudar o nosso modo de ser e corrigir a direção da nossa jornada para a totalidade, o destino para onde a cura nos leva."

Dr. Amit Goswami - O Médico Quântico.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

MEIO AMBIENTE E BUDISMO (AS RAZÕES DO SOFRIMENTO HUMANO)

"A filosofia budista contém algumas das mais lúcidas exposições sobre a condição humana e suas raízes na linguagem e na consciência. O sofrimento humano existencial surge, na visão budista, quando nos apegamos a formas e a categorias fixas criadas pela mente, em vez de aceitar a natureza impermanente e transitória de todas as coisas. Buda ensinou que todas as formas fixas - coisas, eventos, pessoas, idéias - nada mais são que maya. [...] A partir da ignorância (avidya), dividimos o mundo percebido em objetos separados, que percebemos como sendo sólidos e permanentes, mas que, na verdade, são transitórios e estão em contínua mudança. Tentando nos apegar às nossas rígidas categorias em vez de compreender a fluidez da vida, estamos fadados a experimentar frustração após frustração.

A doutrina budista da impermanência inclui a noção de que o eu não existe. [...] Ela sustenta que a idéia de um eu individual, separado, é uma ilusão, é apenas uma outra forma de maya, uma concepção intelectual destituída de realidade. O apego a essa idéia de um eu separado leva à mesma dor e ao mesmo sofrimento [...].
A ciência cognitiva chegou exatamente à mesma posição. De acordo com a teoria de Santiago, criamos o eu assim como criamos objetos. Nosso eu, ou ego, não tem nenhuma existência independente, mas é o resultado do nosso acoplamento entrutural interno. [...]

Nosso impulso para nos agarrar a uma terra interior é a essência do ego-eu e é a fonte de contínua frustração. [...] Em outras palavras, nosso agarrar-se a uma terra, seja ela interior ou exterior, é a fonte profunda de frustração e de ansiedade.

[...] Somos indivíduos autônomos, modelados pela nossa própria história de mudanças estruturais. Somos autoconscientes, cientes da nossa identidade individual - e, não obstante, quando procuramos por um eu independente no âmbito de nosso mundo de experiência, não conseguimos encontrar nenhuma entidade desse tipo.


A origem de nosso dilema reside na nossa tendência para criar as abstrações de objetos separados, inclusive de um eu separado, e em seguida acreditar que elas pertencem a uma realidade objetiva, que existe independentemente de nós. [...]

O poder do pensamento abstrato nos tem levado a tratar o meio ambiente natural - a teia da vida - como se ele consistisse em partes separadas, a serem exploradas comercialmente, em benefício próprio, por diferentes grupos. [...] A crença segundo a qual todos esses fragmentos - em nós mesmos, no nosso meio ambiente e na nossa sociedade - são realmente separados alienou-nos da natureza e de nossos companheiros humanos, e, dessa maneira, nos diminuiu. Para recuperar nossa plena humanidade, temos de recuperar nossa experiência de conexidade com toda a teia da vida. Essa reconexão, ou religação, religio em latim, é a própria essência do alicerçamento espiritual da ecologia profunda."

Fritjof Capra - A Teia da Vida

segunda-feira, 5 de maio de 2008

OS GRANDES DESAFIOS DE NOSSO TEMPO

Mario Soares, ex-presidente e ex-primeiro-ministro de Portugal.

"O mundo - e o Ocidente, em particular - estão atravessando uma fase de transição e de grande insegurança, que, por se manifestar em diferentes planos, torna imprevisíveis os próximos tempos. No plano econômico estamos à beira de uma recessão econômica internacional que começou nos Estados Unidos e está se refletindo na Europa e no resto do planeta. Ainda não sabemos se irá se agravar ou começará a ser superada, o que não depende apenas do Ocidente, mas também de múltiplos fatores internacionais, como o aumento ou a baixa dos preços do petróleo, ou o comportamento das economias emergentes.
O capitalismo especulativo está em um pantanal, já que a economia especulativa tem hoje pouco a ver com a economia real. Cria-se e perde-se grandes fortunas nos paraísos fiscais, onde circula impunemente o chamado dinheiro sujo, proveniente da droga e de outros comércios ilícitos (tráfico ilegal de armas, de órgãos humanos, da prostituição, etc) enquanto a economia real está gerando desemprego, paralisação econômica, inflação, crise na bolsa e no crédito imobiliário, irregularidades e quebras de instituições bancárias e de seguros ate agora consideradas intocáveis.
Por sua vez, as organizações financeiras internacionais como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional - que não dependem, como deveria ser, das Nações Unidas - se mostram obsoletas e incapazes de enfrentar a crise financeira em curso. O mesmo se pode dizer da Organização Mundial do Comercio - também fora do âmbito da ONU - onde os necessários consensos com os países emergentes e em desenvolvimento são cada vez mais difíceis de serem estabelecidos.
Nestes tempos de globalização - não apenas econômica, mas também científica, tecnológica, informática e de um novo fenômeno que é a nascente formação de uma opinião pública mundial - os grandes problemas que afetam o mundo ainda não encontram uma resposta global, que apenas poderia consistir em uma profunda reestruturação da ONU e de seu Conselho de Segurança. E o G-8, que agrupa as maiores potências, não passa de um diretório das nações ricas,c arente de legitimidade para orientar o mundo, como mostra a experiência dos últimos anos. Existe, portanto, um grave vazio na ordem mundial.
Quais são os maiores problemas que afetam o mundo contemporâneo e que, senão forem resolvidos em um prazo razoável envolvem uma ameaça para a humanidade? Enumero por ordem de importância. Em primeiro lugar as mais graves questões ambientais? O buraco na camada de ozônio, o aquecimento da Terra e as mudanças climáticas, a contaminação da água e do lençol freático, a desertificação, a redução da biodiversidade, o progressivo desaparecimento das florestas, a degradação urbana.
A fome e a pobreza endêmica que afetam mais de dois terços da população mundial apesar de a ciência e a tecnologia disporem de recursos para eliminar facilmente esses problemas com a condição de que haja vontade política para enfrentá-los. A violência - fomentada pela violência cotidiana propagada pelos meios de comunicação - os conflitos, as guerras, o comércio ilimitado de armas e a corrida armamentista nuclear às quais são incapazes de por um freio as potências e as instituições internacionais.
As pandemias com a da Aids e outras doenças que haviam sido erradicadas e que ressurgem, com a tuberculose, a malária e outros desafios que somente podem ter uma resposta global. O fanatismo religioso e político, a perda de valores nas sociedades consumistas e hedonistas de nosso tempo, o desprezo pelos problemas sociais, ambientais e pelos direitos humanos.
Tudo isto forma uma profunda crise mundial, comparável à vivida no começo da Segunda Guerra Mundial, depois das avassaladoras vitórias militares de Hitler e do imperialismo japonês, quando alguns pessimistas vislumbravam "um retrocesso de mil anos". Mas nessa oportunidade, como agora, não podemos -nem devemos - perder a esperança e deixar de lutar pelos valores do humanismo universal.
A ordem mundial é novamente multilateral. O império norte-americano como tal está em vias de desaparecer. As soluções para os problemas que enfrentamos não dependem apenas, como se pensava no começo deste século, do Ocidente (Estados Unidos e Europa). Hoje também contam os chamados países emergentes, Brasil, Rússia, China e India - e outros mais como Japão, México, África do Sul, Irã, Egito e Turquia. Isto quer dizer que o Ocidente deve entender que tem de negociar com esses países, bem como ajudar na reforma da ONU se quer realmente enfrentar os grandes desafios de nosso tempo.
Muito depende ainda dos Estados Unidos e de seu próximo presidente. Seja quem for, terá que mudar radicalmente as políticas interna e externa de Wasghinton, que quiser evitar que sua nação entre em decadência. Por sua vez, a União Européia deve ter a coragem de definir uma estratégia autônoma e indicar o rumo que seguirá nos próximos anos na esfera institucional e como ator global no cenário internacional."
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14969

INTEGRAÇÃO ENTRE CIÊNCIA E ESPIRITUALIDADE

"Um nível crítico de confusão satura o mundo contemporâneo. Nossa fé nos componentes espirituais da vida - na realidade vital da consciência, dos valores e de Deus - está sendo corroída sob o ataque implacável do materialismo científico. [...]

Nos últimos 400 anos, adotamos gradualmente a crença de que a ciência só pode ser cosntruída sobre a idéia de que tudo é feito de matéria - os denominados átomos, em um espaço vazio. Viemos a aceitar o materialismo como dogma, a despeito de sua incapacidade de explicar as experiências mais simples de nossa vida diária. Em suma, temos uma visão de mundo incoerente. As tribulações em que vivemos alimentaram a exigência de um novo paradigma - uma visão unificadora do mundo que integre mente e espírito na ciência. [...]

Podemos construir uma ciência que abranja as religiões do mundo, trabalhando em cooperação com elas para compreender a condição humana em sua totalidade. O núcleo desse novo paradigma é o reconhecimento de que a ciência moderna confirma uma idéia antiga - a idéia de que consciência, e não matéria, é o substrato de tudo que existe."

Amit Goswami - O Universo Autoconsciente


domingo, 4 de maio de 2008

ECOLOGIA PROFUNDA

“O novo paradigma pode ser chamado de visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode também ser denominado visão ecológica, se o termo “ecológica” for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a interdependência fundamental de tosos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza.”

“[...]a percepção da ecologia profunda é percepção espiritual ou religiosa. Quando a concepção de espírito humano é entendido como o modo de consciência no qual o indivíduo tem uma sensação de pertinência, de conexidade, com o cosmos como um todo, torna-se claro que a percepção ecológica é espiritual na sua essência mais profunda.”

Fritjof Capra - A Teia da Vida